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12 Marzo 2010

Clima e pobreza

Um mundo diferente é possível

 

Existe uma cruel ligação de mão dupla que vincula as mudanças climáticas ao subdesenvolvimento. As consequências do aumento do efeito estufa — aumento da temperatura, aumento do nível dos mares, progressivo descongelamento de geleiras, crescimento de desertos e de zonas áridas, tornam efetivamente os pobres cada vêz mais pobres, ao mesmo tempo que o subdesenvolvimento amplia e agrava muitos problemas ambientais, inclusive aqueles que têm influência sobre o clima.

A pobreza e o risco climático são os dois obstáculos principais contra o objetivo de um mundo diferente e melhor. A condição de absoluta miséria em que vivem milhões de homens e mulheres é uma realidade inaceitável para as pessoas de boa vontade e é também um terreno fértil para terríveis fenômenos como o terrorismo e a contraposição entre civilizações e culturas. Quanto às diferenças climáticas, essas representam uma ameaça que, dentro de um século, poderia tornar literalmente impossível a vida sobre muitas regiões da terra.

O tema da entrelace entre mudanças climáticas e pobreza traz à superfície a questão mais ampla da globalização. "Legambiente" é protagonista no movimento que luta contra a ideologia liberista, contra a tentativa de colocar o lucro e o mercado como principais referências dos governos mundiais. Um mundo diferente é possível e necessário. O primeiro passo para construi-lo é deter a perversa espiral entre mudanças climáticas e pobreza.

CLIMA E POBREZA; UM MUNDO DIFERENTE É POSSÍVEL é a campanha de "Legambiente" para denunciar e contribuir ao combate do círculo vicioso entre mudanças climáticas e subdesenvolvimento.

A campanha se articula em iniciativas de informação, jornadas de mobilização, ações concretas de solidariedade. Estas as etapas:

  • Distribuição de material informativo sobre a ligação entre clima e pobreza.
  • Duas petições populares: para empenhar o governo, as regiões, as entidades locais na redução de 6.5% das emissões de anidrido carbônico e para obter a destinação de O.7% do PIB a programas de cooperação ao desenvolvimento.
  • Uma proposta para reduzir em 50% no período de 20 anos, a dependência de petróleo do nosso sistema energético.
  • Uma arrecadação de fundos para financiar projetos de solidariedade nas regiões situadas ao Sul do Mundo.
  • Iniciativas de informação e sensibilização nas escolas.

menos EFEITO ESTUFA mais ECONOMIA ENERGÉTICA FONTES RENOVÁVEIS, TRANSPORTE PÚBLICO

O aquecimento do planeta é uma perspectiva sempre mais concreta que ameaça tornar-se um problema sem volta se proseguirem, ao ritmo atual, as emissões na atmosfera de anidrido carbônico e dos gases causadores do efeito estufa. O anos ‘90 foram o decênio mais quente segundo as estatísticas metereológicas e os cientistas concordam que um ulterior aumento , mesmo que de poucos décimos da temperatura terrestre, trariam consequências catrastóficas: inteiras regiões costeiras seriam submersas pelo mar, grande parte das geleiras se derreteriam, o avançada dos desertos cancelaria milhões de hectares de terra fértil.

O dever de deter as mudanças climáticas compete antes de mais nada aos Países industrializados, que com 20% da população mundial são responsáveis por mais da metade das emissões: e´necessário incentivar a economia de energia, promover as fontes renováveis, reduzir os transportes nas estradas, transferir aos Países pobres as tecnologias necessárias para produzir energia sem causar dano ao clima.

menos PETRÓLIO mais ENERGIA EÓLICA E SOLAR

O petrólio é o inimigo número um do clima e é também un potente fator de poluição e de tensões geopolíticas, só uma drástica redução da dependência do petrólio por parte dos atuais sistemas energéticos pode dar início a um mundo voltado para o futuro do bem estar para todos e da paz entre os homens e a natureza. Para se realizar este objetivo é necessária uma mudança radical nas políticas energéticas, que enfatize em particular o desenvolvimento das fontes renováveis e em primeiro lugar da energia solar e eólica: hoje a Itália….

menos OGM mais SEGURANÇA ALIMENTAR

Frangos à dioxina, vacas loucas, bovinos alimentados como carnívoros, frutas e verduras com pesticidas, morangos com genes de peixe: degenerações que são o resultado de dezenas de anos de afastamento entre a agricultura e a natureza, que deixaram os consumidores sempre mais preocupados e inseguros. Hoje existem alguns sinais positívos — se pense por exemplo no boom da agricultura biológica na Itália -, mas a situação geral continua perigosa. O maior dos problemas, os organismos modificados genéticamente: isto porque os riscos alimentares e sanitários são ainda hoje em estudo, e sobretudo porque a agricultura "biotech", nas mãos inteiramente de pequenos grupos de multinacionais, é uma ameaça para as produções típicas e de qualidade, que são o principal valor agregado da agricultura italiana e européia e para os países pobres, os quais, por causa do mecanismo das patentes, despejam hoje em dia, milhões nas caixas das indústrias concentradas no Norte do mundo.

menos DESMATAMENTO mais BIODIVERSIDADE

Em base à alguns estudos científicos, um quarto de todas as espécies animais e vegetais hoje em vida serão extintas em meio século. A perda da biodiversidade é o resultado de uma série de fenômenos causados pelo homen, em primeiro lugar o desmatamento que elimina, com rítmos acelerados, o habitat de grande parte das espécies viventes. Somente entre 1980 e 1995, 200 milhões de hectares de floresta tropical foram derrubados, o equivalente a uma superfície maior do que o México. Lugar símbolo do desmatamento é a Amazônia, onde a cada segundo é destruída uma superfície grande como uma quadra de futebol: e justamente na Amazônia a luta dos seringueiros, os extratores de cauchu, guiados por Chico Mendes contra os latifundiários responsáveis pelo corte e incêndio da floresta, demonstraram com dramática evidência a pequenez entre a custódia do meio ambiente e a defesa dos interesses dos mais fracos. Em 1980 Chico Mendes foi assassinados por bandidos pagos pelo grandes proprietários de terra. O seu nome e seu exemplo vivem no empenho de milhões de homens e mulheres contra a destruição do meio ambiente e pela redenção dos pobres do mundo.

menos DESERTIFIÇÃO mais ÁGUA E ALIMENTO PARA TODOS

Na África, 400 milhões de pessoas lutam cada dia da própria vida contra o avanço inexorável dos quase 700 milhões de hectáres de desertos. Os dados sobre a desertificação, alimentada e provocada pelo aproveitamento intensivo dos solos, pela construção de digas e outras grandes obras hídricas, pelas mudanças climáticas, são impressionantes: mediamente come a cada ano 3.5% das terras férteis, percentagem que sobe muito nas regiões tropicais.

Segundo a FAO, mais de 800 milhões de pessoas sofrem de fome. Nos Estados Unidos, os 55% dos adultos tem excesso de peso.

A escassez de água é um problema cada dia mais dramático, que deixa o futuro da agricultura e da alimentação nos Países mais pobres sempre mais incerto: na Índia, por exemplo, as faldas freáticas abaixam-se cada ano mais de um metro.

menos LIBERISMO mais TRABALHO PARA TODOS

A ideologia liberista que atualmente governa os processos de globalização obriga centenas de milhões de pessoas nos Países pobres a trabalhar em condições abaixo de qualquer limite aceitável de dignidade, e produz incerteza e críses contínuas. A quebra, poucos anos atrás, dos mercados asiáticos, que levou à pobreza milhões de trabalhadores, é o resultado desta lógica, que privilegia os interesses especulatívos diante do objetivo de criar no Sul do mundo economias solidárias.

Contra esse modelo, o movimento antiliberista lancou a proposta da "Tobin Tax", imposto sobre as transações internacionais a curto prazo cuja arrecadação seria utilizada para financiar a cooperação ao desenvolvimento: uma medida que evitaria os movimentos de capitais à fins puramente especulatívos e favoreceria ao contrário, os investimentos produtivos.

menos GUERRAS E PERSECUÇÕES mais DIREITOS HUMANOS e DEMOCRACÍA

No mundo existem mais de 22 milhões de refugiados, pessoas obrigadas a deixar o próprio país por causa de conflitos ou perseguições: cerca de 15 milhões vêm da Ásia e da África, 6 milhões da Europa, mais de um milhão da América setentrional. A esses se incluem pelo menos 30 milhões de "refugiados internos", pessoas desabrigadas dentro dos próprios países devido a guerras ou calamidades naturais, e 80 milhões de pessoas obrigadas a deixar as próprias casas devido à necessidade de construir infraestruturas ou o aproveitamento intensivo da terra.

menos DESPESAS MILITARES mais ELIMINAÇÃO DO DÉBITO

As despesas militares absorvem cerca de 3% do produto interno bruto mundial e são destinadas ainda a aumentar. O fenômeno concerne seja os Países pobres, aonde muitas vezes os regimes ditatoriais gastam em armamento grande parte das ajudas internacionais, seja os Países ricos. A Itália é a penúltima entre os Países Osce nas despesas para a cooperação ao desenvolvimento, e no último orçamento público são previstos aumentos significativos das despesas militares.

O débito dos Países pobres é de mais de 2.400 milhões de dólares, equivalentes a 150% das exportações dos mesmos. Era de 1.470 milhões em 1980 e de 600 milhões em 1970. O problema do débito constitue um grave obstáculo para o desenvolvimento dos Países mais pobres, obrigados a pagar muito para saldar os débitos quando poderiam investir em instrução ou assistência sanitária. Um cartel mundial de centenas de associações fêz um pedido para que os Países ricos reduzam até o ano 2010 as despesas militares na razão de 20%, investindo os valores economizados em programas de cooperação ao desenvolvimento para que cancelem todos os seus créditos com os Países pobres — que façam pressão para que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional cancelem o débito.

menos HOMOLOGAÇÃO mais IDENTIDADE CULTURAL

Nos últimos anos o "pensamento único" valorizou a ideia de que para competir no mundo globalizado, todos os Países devem uniformizar-se ao mesmo modelo, homologado mecânicamente pelo Ocidente. Esta perspectiva não é sómente insustentável sob o ponto de vista ambiental como culturalmente inaceitável visto que condenaria à extinção, o saber e as tradições locais: é também econômicamente perdedora porque exatamente as razões de uma sempre mais acirrada concorrência entre os mercados, impoem a cada País uma economia para valorizar as próprias "vocações"; Uma prova? Dos dez produtos recentemente indicados por uma revista americana como os mais "globalizados", quase todos têm uma forte identidade: do vinho Chianti à pizza, a mesma Coca Cola pode verdadeiramente ser considerada um "produto típico" americano.

menos POBREZA mais COOPERAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO

Um milhão e trezentas mil pessoas possuem menos de um dólar ao dia para viver. Se em 1960, os 20% mais ricos da população mundial possuía uma renda trinta vezes superior aquela dos 20% mais pobres, hoje a proporção é de 82 a 1, enquanto três quintos dos 4.4 milhões de habitantes dos Países pobres vivem em comunidades destituídas de infra-estruturas higiênicas de base; cerca de um terço nâo dispoem de água potável e um terço das crianças é subnitrida e não atinge a quinta série na escola. Assim sendo, os 20% da população mundial, aquela dos Países industrializados consome 83% dos recursos do planeta. Aumentar no Norte do mundo as verbas destinadas à cooperação ao desenvolvimento não é um ato de caridade mas o início do ressarcimento de uma globalização baseada nos interesses de poucos previlegiados.

menos TRABALHO MINORIL mais INSTRUÇÃO

Nos Países pobres existem 250 milhões de crianças entre 5 e 14 anos que trabalham: 61% vivem na Ásia, 32% na Africa e 7% na América Latina. Três quartos das bolas de futebol vendidas no mundo são fabricadas por algumas centenas de crianças paquistanesas: dez horas de trabalho por dia, 1.500 liras de pagamento. Em todo o mundo a cada ano, cerca de 1.2 milhões de mulheres e crianças com menos de 18 anos tornam-se vítimas de tráfico de prostituição. No Brasil, 2 milhões de crianças se prostituem. Na Tailândia, 800 mil. Nos anos 90 cerca de 300 mil crianças tornaram-se soldados e seis milhões delas foram feridas em lutas armadas. Na China, 90 milhões de crianças não frequentam a escola elementar. Na Itália, mais de 100 mil crianças com menos de 14 anos trabalham em vêz de frequentar a escola.


PENSAR GLOBALMENTE, AGIR LOCALMENTE

"Legambiente", com mais de 110.000 supporters, 1000 comitês locais, 3000 "Bande del Cigno", dentro e fora da escola, é a maior associação ambientalista italiana. É reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente como associação de interesse ambiental; faz parte do "Bureau Européen de l’Environnement" e da "International Union for Conservation of Nature". Em vinte anos de atividade, "Legambiente" organizou grandes campanhas de educação ambiental, promoveu e fez com que crescesse a mobilização contra o smog; venceu a guerra contra a energia nuclear, lutou contra o abusivismo edilício, mostrou a todos o problema das descargas abusivas e da atividade das ecomáfias. Graças às campanhas "Galera Verde", o "Trem Verde" e "Fiuminforma", recolheu milhares de dados sobre a poluição do mar, das cidades e das águas. Com "Limpemos o Mundo", "Praias Limpas", "Trabalho em Andamento", "Ar poluido", abriu o caminho a um forte e combativo voluntariado ambiental, além de organizar milhares de grupos de trabalho e de estudo nos lugares mais lindos da peninsula e no exterior, durante as férias. Com "100 estradas para brincar", "Caças aos tesouros da Itália", a Associação chamou à atenção de todos à fim de devolver qualidade e vivibilidade as nossas cidades. Com "Salvarte", a Associação se empenha na tutela e na recuperação do patrimônio cultural. Com a "Nova Ecologia", "Legambinte Notícias", "Jey — A Nova Ecologia Junior", "Lixo Hoje" "Formação e Meio Ambiente" conduz uma obra cotidiana de informação e sensibilização sobre os grandes e pequenos tema da qualidade ambiental. Além do mais combate através de propostas e esperimentações concretas para promover a reconversão ecológica da economia, a valorização do papel também econômico das areas protegidas, o desenvolvimento da Itália e em particular do Sul da Itália para que possa desfrutar do valor agregado dos seus tesouros em natureza e cultura. "Legambiente" é ativa no exterior por meio de campanhas de solidariedade e projetos de cooperação con diferentes realidades dos países em desenvolvimento. "Legambiente" é tudo isso e ainda mais.

 

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